34º Aniversário
Há dois dias atrás fiz 34 anos. 34 anos!!! Nunca me imaginei chegar aqui. Não sei se por uma tendência neuroticamente hipocondríaca, se porque simplesmente nunca me imaginei a crescer. Ainda não imagino...
Ainda me parece que há dois dias atrás comemorava os meus 12, 13, 14 anos. Rodeado de bombas de carnaval, de brincadeiras, de amigos. Mas, afinal de contas, já passaram esses anos e mais 12, 13, 14 e por aí adiante – escuso de me alongar pois a conta já vai alta.
De há já algum tempo a esta parte, perdi grande parte do meu entusiasmo por festas. E, quando se trata de comemorações do facto de eu ir envelhecendo, as últimas réstias de algum entusiasmo que eu poderia ter desaparecem por completo. Porque raio hei-de eu festejar as dores nas costas, os cabelos brancos – tenho poucos graças a Deus – a falta de energia e a falta de vontade para festas? Prefiro esquecer a data e deixá-la passar devagarinho. Para ver se ela não me nota, se não repara em mim. Pode ser que os anos passem e eu me mantenha sempre com a mesma idade. Ainda sonho? É das poucas coisas que sobram da infância...
Enfim, como há pouco tempo escrevia noutro texto, as palavras levam-nos por caminhos não escolhidos e eu não queria escrever nada disto. Quer dizer, não era nada disto que queria partilhar convosco. Simplesmente saíram-me as palavras e eu não fui suficientemente rápido para as apanhar e devolvê-las à minha Alma.
Mas afinal o que é que eu queria escrever? Queria escrever que sou um homem de sorte. Mais velho, mais cansado, porventura mais rabugento, mas cheio de sorte.
Estou a milhares de quilómetros de distância de parte da minha família, da maior parte dos meus amigos, de pessoas que muito significam para mim. E, no entanto, pude presenciar inúmeras formas de afecto por parte de tantas pessoas, podendo afirmar, sem a mínima dúvida, que apesar de tudo passei este meu aniversário acompanhado por tanta gente.
Pelas pessoas que me ligaram, escreveram, enviaram mensagens. Algumas que eu esperava, outras que me surpreenderam. Pelas pessoas que se esqueceram da data – como eu me esqueço de tantas datas de outras pessoas – mas que estão sempre presentes. Pelas pessoas que fizeram questão de se esquecer e que vão se esquecendo. Pelas pessoas a quem eu quis dar um abraço naquela data. Pelas pessoas com quem gostaria de ter bebido um copo. Pelas pessoas das quais sinto saudades.
Muitas pessoas estiveram presentes neste meu dia. Até as que estiveram ausentes...Porque as levo comigo para onde quer que eu vá, porque tudo aquilo que eu hoje sou não o seria sem o seu contributo, sem a sua participação neste livro que vamos escrevendo vida afora, porque deixaram uma marca bem forte no meu coração e na minha vida, tão grande como a que eu espero ir deixando nessas pessoas.
Por isso os seus gestos, simples ou elaborados, espontâneos ou pensados, originais ou banais tocaram-me. Porque sinto da parte de toda essa gente um sentimento muito genuíno que me conforta o coração. Nada mais me enriquece do que saber que toquei de alguma forma, em algum momento, essas pessoas. E elas retribuem-me da forma mais sentida. Cada qual à sua maneira...
Como eu ia dizendo...Sou um homem de sorte...Os anos passam, os problemas andam por aí...para a frente e para trás, para cima e para baixo – como aliás tem de ser...para dar graça à vida – e eu vou enriquecendo. Com a amizade, carinho e Amor que semeei - e faço questão de continuar a semear - sem qualquer intenção de obter frutos, e que se transformam nas mais belas flores que me acompanham a vida dia após dia.
Assim talvez valha a pena envelhecer...

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