Queixas...
Há uns dias atrás dei por mim a reflectir acerca das queixas do Mundo. Não falo da fome, da guerra, da desigualdade financeira do globo terrestre. Deus perdoar-me-á, mas desta vez referia-me ao Mundo que me está próximo. Aos meus amigos, familiares, colegas, conhecidos.
Uns queixam-se do trabalho que têm. Da sobrecarga do mesmo nas suas vidas, do desinteresse que este provoca, do vazio em que este nos deixa. Curiosamente reparei que, do lado diametralmente oposto, outros se queixavam do vazio deixado pela falta do mesmo trabalho. Deixou-me intrigado...
Uns queixam-se de não ter tempo para nada, outros se queixam de não ter nada para ocupar o tempo.
A partir daí, debrucei-me sobre outras queixas. Reparei que alguns se queixavam da dificuldade que supostamente teriam em se comprometer. Com alguém, com uma carreira, com uma vida. Ao mesmo tempo outros se queixavam que, por se quererem comprometer, entrariam em colisão com outras partes avessas a esse passo. Curioso...
Nas matérias do Amor descobri que uns se queixam da falta de um Amor. De um Amor que lhes dê atenção, carinho, paixão. Na mesma hora outros se queixam da falta de um Amor a quem possam dar paixão, atenção e carinho. Uns queixam-se que nada recebem, outros se queixam de ter Amor a mais para dar. Uns queixam-se de nunca terem encontrado o Amor da sua vida, outros se queixam de ter Amado demais. Assombroso...
Ninguém me pareceu contente e todos me pareceram motivados nessas suas queixas. Todas elas legítimas e honestas e, no entanto, tão díspares. A primeira reacção que tive foi que andaríamos desencontrados uns dos outros. E que, algures, encontraríamos alguém que partilhasse as nossas queixas. E que nos ajudaria a satisfazê-las. Só que depois surgiram-me inúmeras dúvidas. Será da nossa natureza a queixa? Será que o que nos faz queixar sistematicamente é verdadeiramente a razão das nossas queixas? Ou serão essas pseudo-razões um mero pretexto para fazermos aquilo que sabemos fazer melhor: queixarmo-nos?
Estaremos condenados, uns mais do que os outros, a procurar exaustivamente motivos para nos queixarmos da vida? Teria a vida alguma graça sem razões para nos queixarmos? Devemos nos resignar a estas queixas e aceitar simplesmente o facto que sempre nos queixaremos?
São tantas perguntas para as quais não tenho resposta. Ninguém terá uma resposta? Se a tiverem digam-na e eu me queixarei de a não ter encontrado. Se a não encontrarem, juntem-se a mim e ajudem-me nesta queixa.

2 Comments:
Pois se o meu Amigo me permite, queixar-me-ei. Não do teor do texto, não das queixas, mas do queixume e de tudo aquilo que dele fazemos...
Vejamos: a queixa em si não tem que ser necessariamente algo negativo, apenas precisamos de saber tirar o positivo das coisas. Se assim for, essa queixa transforma-se numa constatação, num ponto de partida. Ponto de partida para uma nova etapa, nova experiência, nova fase, agora enriquecida com o conhecimento que vem de trás.
Agora, o queixume gratuito chega a ser mais violento e aborrecido que o típico hábito de dizer mal apenas e só porque sim… Mas como não foi a isso que o meu amigo se referiu, disso não vou falar.
Em relação ao que acabo de escrever, se alguém não gostar, que se queixe… Tou todo queimado…
Queixas, queixas e mais queixas!!!
Ora nos queixamos do que temos, ora do que não temos que até pode ser igual ao que tínhamos, ora nos queixamos do fulano ou do sicrano, ora do chão que pisamos, ora da terra que ainda não fomos, ora da maleita, ora da sanidade, ora da razão, ora do passado presente e do futuro, o que seria de nós sem estas e outras queixas?? O total vazio.
Nós
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