Finalmente, cá vai disto!...
Sendo o Grupo do Porro uma Instituição de Utilidade Pública, venho por este meio recorrer a essa dita utilidade para extravasar um pouco daquilo que vai cá dentro… Espero não ser levado a mal… E se for, paciência, a Amizade verdadeira tudo perdoa.
AS PALAVRAS QUE NUNCA TE DIREI
Numa fria noite de sábado, do outro lado da linha, lá estavas tu. Era a tua 7ª tentativa de contacto, depois de 6 chamadas não atendidas. Estremunhado, atendi, desperto de uma daquelas sonecas no sofá com a lareira a crepitar como som de fundo, pois a TV há muito que se tinha cansado de falar sozinha…
O teu pedido era claro como água: “só a ti te posso pedir isto, posso contar contigo?”. Naturalmente, acedi. Longe estava eu de saber que esse momento iria mudar, e de que maneira!, o curso da minha vida…
Foi a porta para um Mundo novo, cheio de coisas que eu sabia existir, mas que não conhecia. Contigo conheci muito do meu novo mundo, cresci, aprendi, sofri, chorei, sorri. Durante todo o tempo que nos mantivemos juntos, as 6as feiras tornaram-se um dia especial, aquelas horas intermináveis de conversa à beira-rio ou à porta de casa às tantas. Melhor que as 6as, apenas as transposições para mais dias da semana, que fomos posteriormente incluindo no programa das festas.
Olhares cúmplices trocados intermináveis vezes quando jantávamos com amigos, aquela mítica frase “tu percebeste” que repetíamos vezes sem fim, as largas dezenas (não terão sido mesmo centenas) de Bombays tónicos, as empadas de perdiz, o aprender a gostar de vinho…
Mas não foram só os momentos desta partilha… quantas vezes, fulos do emprego, crescemos ao ver pelos olhos (e boca) do outro que a neura que trazíamos agarrada, impregnada mesmo, tinha uma origem bastante razoável, ainda que não gostássemos? Quantas vezes isso não nos enriqueceu, mostrando que o Mundo é muito maior do que parece? E assim crescemos, desenhando projectos e a vendo-os acontecer. De tal modo, que hoje estou num deles, e ainda bem…
O problema, o problema é que tu há muito saíste… e eu não sei bem quando nem, muito pior, porquê… De um momento para o outro, deixámos de falar, de saber um do outro, de sorrir, de partilhar. Eu deixei…
E passei a trazer comigo apenas uma dor que apenas comigo fala, sem saber de ti, sem nada. Ao longo do tempo, a frustração foi crescendo, apenas reduzida uma vez há uns meses, quando pela primeira vez fui a Lisboa. Nessa altura, as migalhas que me serviste consolaram-me, talvez por não saber que o eram. Hoje…
Hoje, passados uns meses e algumas datas como o aniversário daquele dia de Abril no qual, um ano antes, e por minha causa, te vi verter uma lágrima, a inquietude deu lugar à frustração, esta à tristeza e, por fim, à decepção.
Foi bom, mas foi um engano. Ficou a lição. Felizmente esvai-se o vazio. Nada mais me sai. Na verdade, pouco mais há a dizer. Adeus.
AS PALAVRAS QUE NUNCA TE DIREI
Numa fria noite de sábado, do outro lado da linha, lá estavas tu. Era a tua 7ª tentativa de contacto, depois de 6 chamadas não atendidas. Estremunhado, atendi, desperto de uma daquelas sonecas no sofá com a lareira a crepitar como som de fundo, pois a TV há muito que se tinha cansado de falar sozinha…
O teu pedido era claro como água: “só a ti te posso pedir isto, posso contar contigo?”. Naturalmente, acedi. Longe estava eu de saber que esse momento iria mudar, e de que maneira!, o curso da minha vida…
Foi a porta para um Mundo novo, cheio de coisas que eu sabia existir, mas que não conhecia. Contigo conheci muito do meu novo mundo, cresci, aprendi, sofri, chorei, sorri. Durante todo o tempo que nos mantivemos juntos, as 6as feiras tornaram-se um dia especial, aquelas horas intermináveis de conversa à beira-rio ou à porta de casa às tantas. Melhor que as 6as, apenas as transposições para mais dias da semana, que fomos posteriormente incluindo no programa das festas.
Olhares cúmplices trocados intermináveis vezes quando jantávamos com amigos, aquela mítica frase “tu percebeste” que repetíamos vezes sem fim, as largas dezenas (não terão sido mesmo centenas) de Bombays tónicos, as empadas de perdiz, o aprender a gostar de vinho…
Mas não foram só os momentos desta partilha… quantas vezes, fulos do emprego, crescemos ao ver pelos olhos (e boca) do outro que a neura que trazíamos agarrada, impregnada mesmo, tinha uma origem bastante razoável, ainda que não gostássemos? Quantas vezes isso não nos enriqueceu, mostrando que o Mundo é muito maior do que parece? E assim crescemos, desenhando projectos e a vendo-os acontecer. De tal modo, que hoje estou num deles, e ainda bem…
O problema, o problema é que tu há muito saíste… e eu não sei bem quando nem, muito pior, porquê… De um momento para o outro, deixámos de falar, de saber um do outro, de sorrir, de partilhar. Eu deixei…
E passei a trazer comigo apenas uma dor que apenas comigo fala, sem saber de ti, sem nada. Ao longo do tempo, a frustração foi crescendo, apenas reduzida uma vez há uns meses, quando pela primeira vez fui a Lisboa. Nessa altura, as migalhas que me serviste consolaram-me, talvez por não saber que o eram. Hoje…
Hoje, passados uns meses e algumas datas como o aniversário daquele dia de Abril no qual, um ano antes, e por minha causa, te vi verter uma lágrima, a inquietude deu lugar à frustração, esta à tristeza e, por fim, à decepção.
Foi bom, mas foi um engano. Ficou a lição. Felizmente esvai-se o vazio. Nada mais me sai. Na verdade, pouco mais há a dizer. Adeus.

4 Comments:
É sempre bom saber que as pessoas dedicam algum do seu tempo à escrita. Seja para desabafar, seja para nos entreter, seja para se queixarem. Mas sempre para abrir um pouco da sua Alma e deixar aqueles que lêem um pouco mais ricos.
Quando essa escrita é neste Blogue, fico ainda mais contente. E, ainda melhor, quando se trata de uma estréia. Muito que eu gostaria que mais e mais pessoas escrevessem e fizessem outra coisa que não fosse apenas o marasmo das suas vidas (trabalho-casa-trabalho).
Tudo isso já era suficiente para te dar as boas vindas. Mas, ao ler um texto sentido, intenso, bem escrito, com emoção verdadeira, fico ainda mais agradado por teres tomado essa decisão. A nossa Alma é engraçada faz-nos sentir, Amar, sofrer mas, acima de tudo...viver...
Grande abraço
Cheguei ao trabalho e para começar li o teu texto. Parabéns!!
Crescer, Amar, sofrer, tudo faz parte do imenso caminho que é viver...A energia que tiramos dessas experiências é sempre positiva!!
Um beijo
Nós
Alberto meu Amigo,
Gostei!! Simplesmente gostei!!!
Um beijo
Nós
Alberto,
O texto tratou-se de um desabafo e de um ponto de final em algo que começou por ser mais do que meio bom momento.
Aquilo que fiz foi desabafar, para poder seguir em frente, deixando de pensar mas, em momento algum, permitindo esquecer (perdoar é de Cristão, esquecer é de estúpido). Caro amigo, se tirar a lição tiro algo de bom, e se tirar algo de bom terá sido positivo. Por 2 motivos: por ter aprendido e, logo, crescido e por ter feito isso mesmo, transformar algo mau em algo bom (o Rio ensinou-me a ver as coisas em perspectiva).
Encontrar sempre algo de positivo no negativo é meio caminho para um sorriso na cara. Ser positivo é tudo. Bom, quase tudo, pois não é fácil. É isso que faz com que sê-lo seja algo especial…
Grande Abraço
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