É triste mas é verdade...
Escrevo estas linhas porque me sinto frustrado, deprimido e, posso até dizê-lo, angustiado. É assim um desabafo que faço comigo mesmo mas que, ao escrevê-lo, tento que funcione como se conversasse com alguém que me entenda.
Porventura as pessoas que leiam estas linhas e que me conheçam pensarão que se trata de mais um chilique (é chilique ou xilique??) da minha parte como conseqüência de aqui ter ficado só, depois da partida para Portugal da minha mulher e do meu filho. Poderia até ser...não é o caso...
Poderiam ser também as frustrações acumuladas do trabalho que me (nos) vão enchendo até não agüentarmos mais. Poderia ser hoje o dia em que tinha atingido o meu limite. Infelizmente não se trata disso.
Haveria ainda a hipótese, entre tantas outras que poderíamos aventar, de se tratar de um vazio de sentimentos que surge dos sonhos não realizados e, portanto, reprimidos. Seria uma hipótese coerente...
Contudo, o que me deixa neste estado, por mais estúpido que isso pareça – e parece...até para mim mesmo – é a derrota do Sporting frente a uma equipa nórdica de duvidosa reputação (mesmo que já tenha eliminado o Benfica), a sua eliminação de uma Taça na qual prometíamos um pouco mais, mais um desaire num ano de festa do MEU clube, a falta de vontade e empenho dos jogadores, o assobio dos adeptos, as falhas sucessivas, a falta de inteligência (se calhar minha...) nalguns momentos, etc, etc, etc.
Ao acabar o referido jogo, dei por mim desconsolado, abatido, desmotivado. Como se eu tivesse tomado parte naquela partida de futebol, naquele jogo – aquilo é um jogo, não é? Como se eu fosse também responsável por aquela derrota. Eu, que assisti impotentemente ao descalabro, senti-me envergonhado por tudo aquilo que fizemos e pelo que deixámos de fazer. Mas porquê??? Porque diabo eu e milhares de adeptos pelo Mundo fora teremos de nos sentir assim por causa de um mero jogo???
À medida que os minutos íam passando e a dor aguda dava lugar a um mal estar mais pesaroso (passava da enxaqueca à depressão), tentei raciocinar. Tentei ser lógico. Eu não sou responsável por aquela derrota. A minha vida não mudará pelo facto de o Sporting ganhar ou perder. Não perdi qualquer prémio de jogo.
Daí passei para a segunda fase do pretenso racionalismo. Olhar para o Mundo à minha volta e para as verdadeiras desgraças. Grave foi o furacão Katrina. Doloroso foi o Tsunami. Tristeza de verdade é que se vê nos olhos de uma criança com fome. Angústia é a morte de uma pessoa que nos é querida...
Lá pensar nisso, juro que pensei...Mas, feliz ou infelizmente, para o bem e para o mal, os nossos pensamentos não mandam na nossa Alma. Por isso, que me desculpem aqueles que passam fome, aqueles que perderam os familiares em desastres naturais, aqueles que, por esta ou por aquela razão têm uma verdadeira razão para estar tristes, mas hoje, quando me deitar, não será neles que eu vou pensar ao fechar os olhos. Quando os fechar, antes de começar a sonhar, sei que verei a saída em falso do Nélson, a bola na trave do Pinilla, a falha do Polga. E, se tiver sorte, conseguirei não chorar...
Não é bonito sentir assim. Hoje posso afirmá-lo que acho tudo isto ridículo. O jogo em si não tem a mínima importância. Mas sinto-o. E não serei apenas eu. Milhares de pessoas ainda estão em estado de desespero. Outros milhares estarão em igual situação pela derrota de outros clubes. Por razões óbvias hoje estarei solidário com eles. No meio destes “pensamentos” vi-me obrigado a pensar que, nas próximas vezes que o clube de amigos meus passe por situações idênticas, por mais que isso me possa fazer sorrir, terei de me solidarizar com eles, pois será a vez deles de se sentir assim...É um mundo de loucos...
É triste...mas é verdade...

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