Thursday, November 10, 2005

Máscaras - Parte II

Em tempos escrevi sobre Máscaras...Referia-me no geral a máscaras de conveniência que todos usamos no dia a dia. Máscaras que usamos para ocultar as nossas inseguranças e que nos protegem do Mundo que nos rodeia. Máscaras que se moldam de tal maneira ao nosso rosto que se chegam a confundir com o mesmo. Mas, no fundo, Máscaras que são parte de nós e que representam tudo aquilo que somos, no íntimo e em grupo.

Hoje apetece-me voltar à questão das Máscaras, mas abordando-as por outro prisma. As Máscaras que rapidamente colocamos e tiramos, dependendo da pessoa e da situação que encontramos. Ao invés de ser uma Máscara pregada nas nossas caras, pensei na situação de necessidade que nos obriga a trocar de Máscara à velocidade de um transformista.

Assim, tal como estes, passamos a ter várias faces. Passamos a assumir várias expressões, vários sentimentos, várias posturas, dependendo do nosso interlocutor. Assim, falando exactamente do mesmo assunto, somos capazes de colocar um sorriso genuíno (as máscaras são tão boas...), um olhar triste, um franzir de testa pensativo, o rosto repleto de lágrimas ou soltar uma sonora gargalhada. Tudo variando consoante o destinatário dessa forma tão sui generis de comunicação e consoante o objectivo que, consciente ou inconscientemente, queremos atingir.

Nestes casos, um tudo ou nada mais patológicos, ao usarmos essa quantidade tão grande de máscaras, somos forçosamente obrigados a assumir a mentira, ou multiplicidade se preferimos ser brandos, para que as nossas palavras e convicções, condigam com a expressividade que queremos empregar. E julgo que, por vezes, chegamos quase a acreditar que estamos a ser honestos, tão grande é a força que empregamos no uso dessas máscaras. E que, por alguma razão inexplicável, não somos capazes de perceber que uma das máscaras (expressões e palavras incluídas) contraria a outra e assim sucessivamente.

Atingimos assim outro patamar...o dos personagens. Assumimos outra personalidade, outra postura, outro corpo e outra Alma. Como defesa ou por puro instinto. Dessa forma, tudo volta a ser permitido e ético aos nossos olhos iludidos. De nada nos custa ser uma personagem sorridente à esquerda, choroso à direita, confuso para cima e decidido para baixo. Criamos várias personagens que possam assumir todos os papéis que queríamos só para nós.

E no final? No final, depois de vivermos todos os Actos e Cenas da nossa vida, olhamos para trás e reparamos que quem agradece as palmas e recebe os louros pela actuação são os personagens que nós criámos e nunca os Actores que quisemos ser. E que os espectadores olham para nós como ilusões de uma vida que nem sequer fomos capazes de viver. E nem sequer encontramos o nosso verdadeiro Eu.

Valerá a pena?

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