Wednesday, January 19, 2005

Este Ano vamos deixar o Olivas em Paz...

Ando há alguns dias a matutar num assunto...

A Internet tem sido, nestes últimos anos, o veículo privilegiado para se fazerem apelos inúteis e inócuos à sociedade, quase numa tentativa algo idiota de, através de umas simples e idiotas mensagens, limparmos os problemas de consciência que temos por não fazer nada em prol da humanidade.

Assim, vemos e ajudamos a circular pelas nossas caixas de correio, mensagens que vão desde a condenação ao apedrejamento de uma mulher na Nigéria, à transmissão de fotos de crianças desaparecidas algures no Sudeste Asiático, já para não falar de testemunhos algo duvidosos de misteriosos gangues que roubam órgãos ou violam velhinhas. O problema é que a mulher em causa morreu apedrejada, a criança se encontrou a família foi porque esta a procurou (acho incrível que alguém imagine os Avós, Tios, Primos de alguém sentados no seu PC à espera de receber uma foto conhecida pela Internet) e a velhinha, se tiver a sorte de ser violada, só poderá dar graças a Deus por isto ter acontecido.

Achei que isso deveria mudar. Achei que a Internet poderia ser usada para algo que nos esteja mais próximo, para algo que nos toque diariamente, para algo com que todos convivamos. Decidi então fazer este apelo, sincero e honesto: este Ano vamos deixar o velho Olivas em Paz.

Pensei nisto em função do aniversário dessa criatura que alguns terão a felicidade de conhecer...

Agora porquê deixá-lo em Paz? Acho, sinceramente, que chegou a altura de dizer BASTA. Faço obviamente o mea culpa por tantas vezes ter-me juntado ao coro de protestos contra as suas atitudes, mas, como nunca é tarde para mudar, aqui estou eu para tentar dar o exemplo. Ninguém tem qualquer dúvida que o Ser em causa é diferente dos demais. Então porque havemos de o tratar da mesma forma que aos outros?

Porque é que Ele tem de ser obrigado a cumprir horários que todos sabem, Ele inclusive, que não irá cumprir? Porque é que Ele tem de ser coerente com os assuntos que Ele defende, se Ele é o primeiro a discutir consigo mesmo? Porque é que Ele tem de se comportar como o Pai que o gerou, criou e educou, mas nunca conseguiu incutir n’Ele os desafios que aquele propôs para si mesmo? Porque é que Ele, exagerado por natureza, tem de ser contido na sua forma de estar, vestir ou de agir? Porque é que Ele, que abraça a vida como se a quisesse sufocar de uma vez só, se tem de preocupar com a saúde, com a alimentação, com os fumos, etc? Porque é que Ele, que gostaria certamente de ter o Dom da ubiqüidade e atender a todos, tem de comparecer a encontros que, infelizmente e por fruto da ocasião, são suplantados por outros? Porque é que Ele tem de ser diariamente pressionado para fazer tudo aquilo que Ele não quer e até para fazer aquilo que Ele mesmo quer? Porque é que todo Mundo, sabendo que estamos diante de uma pessoa única e singular, quer que ele seja igual a todos os restantes?

Não sei se o fazemos por defesa, por receio de não sabermos lidar com alguém diferente, por querermos uniformizar o Mundo aos nossos olhos. Simplesmente percebi-me que incorremos todos num erro: não deveríamos tentar mudar algo ou alguém, simplesmente porque não o compreendemos.

É por isso chegada a altura de o Mundo que rodeia o Zé Olivas fazer uma verdadeira reflexão. Há quem não goste do Zé Olivas? A resposta é tão óbvia que me leva a uma singela conclusão. Todas as pessoas gostam d’Ele porque Ele é diferente. E, por essa mesma razão, deveríamos todos fazer um esforço no sentido contrário aquele ao qual estamos habituados e lutar para que Ele não mude e se mantenha igual àquilo que Ele hoje é. Mesmo que isso signifique que nem sempre o compreendamos.

Então, só nos resta um caminho sério e honesto: este Ano vamos deixar o Olivas em Paz...

Sunday, January 16, 2005

Porque sim...Porque não...

Não serei eu nem primeiro nem o último a fazê-lo, mas há que louvar a língua portuguesa. Por ser rica, variada, descritiva. Existem inúmeros vocábulos para o mesmo objecto. Existem palavras diversas para a mesma função. Existem múltiplas formas de expressarmos os nossos sentimentos, de argumentarmos as nossas posições, de comunicarmos enfim...

É com tristeza que assisto, no entanto, à banalização da nossa língua. Não sei se influenciados pela nova linguagem, por vezes criptográfica, que se usa nas comunicações móveis e afins, vejo as pessoas à minha volta a utilizar vezes sem conta a justificação Porque Sim...Porque Não...

Certamente que os meus Amigos, porventura fartos destas minhas dissertações, perguntarão que diabo tenho eu a ver com a forma de falar dos outros ou porque raio perco tempo a abordar este assunto. A minha resposta é rápida, fácil e óbvia: porque sim...

Poderia perder muito tempo com largas explicações e lições de ética na escrita, mas desta vez não o farei. Porquê? Porque não...Que raio de pergunta... Haverá melhor forma de nos esquivarmos de opinar sobre qualquer assunto? Ou de nos eximirmos de revelar os nossos sentimentos?

Esta descoberta pode influenciar a vida de muitas pessoas. Ora vejamos...Imaginem o Presidente da República, ao ser questionado sobre as razões que o levaram a demitir o Governo, responder simplesmente: porque sim...sem dar azo a qualquer contra-resposta.

Mas não será somente na política que esta forma ganhará adeptos. Visualizem o patrão que despede o funcionário e simplesmente o justifica: porque sim...E quando o Juiz tiver de libertar um político obviamente culpado alegar que o fez: porque sim...E o cidadão que não paga impostos: porque não...

Muito embora me pareça esta uma forma prática e inócua de justificarmos tudo o que nos acontece, tudo o que fazemos, tudo o que sentimos, tudo o que pensamos, sinto alguma tristeza ao ver as pessoas optarem por uma explicação algo pobre. Não me levem a mal aqueles que o fazem, mas acho que tem um certo encanto ouvirmos as pessoas argumentar de forma expressiva as suas posições – aqueles que ainda as têm, o que já começa a ser raro. Também me parece mágico alguém que consegue expressar os seus sentimentos e não se escuda atrás de respostas que, ao mesmo tempo em que são inofensivas, são inócuas, não têm profundidade, não têm alcance, não fazem sentido. Até naquelas pessoas que vivem à procura de desculpas para atrasos ou para prevaricações tem mais graça uma invenção original do que um simples: porque sim ou porque não...

Resumindo e concluindo, cada um tem o direito de agir e falar como bem entenda, mas muito sinceramente acredito que a nossa língua é um dos nossos maiores valores e a forma de nos expressarmos reflecte um pouco aquilo que sentimos. E eu acho que todos os sentimentos que temos dentro de nós (ódios, amores, prazeres, sonhos, rancores, simpatias) merecem a melhor forma possível de ser libertados no Mundo. Porquê??? Ora...porque sim...

Saturday, January 08, 2005

O Espírito do Natal

Tudo era silêncio. Nada perturbava a Paz aparente em que eu me encontrava. Não digo que estava feliz, pois não acredito na felicidade, mas nada atrapalhava o meu descanso.

Subitamente, do nada, um som estridente trouxe-me de volta à realidade. Maldito despertador, pensei eu instintivamente. Só que hoje tenho de agradecer este despertar, por mais violento que tenha sido. Faltam apenas 10 dias para o Natal e eu ainda tenho tanto para fazer.

Levanto-me num ápice, tomo banho à pressa e, enquanto mastigo uma torrada refeita, revejo a lista da qual não me separarei até o dia 25 de Dezembro. Ora bem, faltam os presentes para o Tio Afonso, que eu já não vejo há mais de 10 meses – pensando bem acho que a última vez que eu o vi foi no último Natal - para os três filhos deste (que eu já não me lembro dos nomes), para os Tios Manuel, Ana, Rodrigo, Joaquim, Duarte, Catarina e outros que já não me lembro. Reparo agora que perdi a conta a todos os primos e amigos de família que estarão presentes no jantar de Natal. Talvez seja melhor comprar presentes em série para não falhar ninguém.

É verdade, não me posso esquecer de dar um presente à D. Odete que trabalha lá em casa, à senhora da Padaria, à Dra. Patrícia que nos trata sempre tão bem e, já agora, ao Sr. Luís do talho.

Lá no emprego temos o Jorge, o Hugo, o Eduardo, a Maria Antónia, a Lúcia, a Sónia, o Gilberto, o Ricardo, a Ana Helena e o Pedro (muito embora eu não vá muito com a cara dele ficaria mal não lhe dar um presente).

Ufa...Só de pensar em tantos presentes quase que fico tonto. Melhor faria eu se fosse como um amigo que me confidenciou um dia não dar presentes a ninguém, para ninguém levar a mal. Mas isso não seria bonito no Natal.

Para além disto tudo, tenho que dar uma esmola a uma instituição de caridade. O Ano passado dei um donativo à Sociedade Protectora dos Animais, este Ano acho que vou dar às crianças filhas de Pais com SIDA. Sei lá...as crianças não têm culpa dos Pais que têm e sempre lhes poderá compensar alguma coisa. Ou então dou às vítimas dos incêndios. Mas já não me lembro se os incêndios foram este ano ou no ano passado. Bom, não interessa. O importante é dar algo e ver se consigo alguma dedução para o IRS.

Se calhar deveria visitar alguns pobres. Mas acho que não tenho tempo para tudo. Quando acabar de comprar os presentes de Natal logo vejo.

Já me esquecia. Tenho de comprar e enviar postais de Natal. Acho que compro postais da UNICEF ou daqueles que são pintados por tipos com os pés que, coitados, até fazem uns desenhinhos bem engraçados...para quem não tem mãos. O melhor é comprar logo daqueles postais que trazem as mensagens de Boas Festas. É que tenho tantos para escrever que assim é só rubricar, pego na minha agenda que está no computador e imprimo etiquetas. Desta maneira não falho ninguém na minha lista. Provavelmente mandarei um postal para uma série de cretinos para os quais não tenho a mínima paciência. Mas também...é Natal e temos de ter um espírito diferente. Quando isto tudo acabar não tenho de ser Amigo deles. Basta-me dar-lhes os bons dias de uma forma cordial.

Tenho que ver na lista se me falta ainda alguma coisa. Não sei porquê sinto que algo está errado. Talvez a lista esteja incompleta. Será que esta é a primeira lista? É que eu tive de a refazer umas cinco vezes porque me lembrava sempre de mais alguém............................................................................
TRRRRRRIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

Que som estridente...Tenho de me lembrar de trocar de despertador pois este dá-me cabo dos nervos. Mas eu estava acordado. Ou não estava? Era tudo um sonho?

Acordo aos poucos e tomo contacto com a realidade. Afinal o Natal já passou. Hoje é dia 8 de Janeiro e tudo aquilo não passou de um sonho algo exótico. Graças a Deus...Sinto-me bastante mais relaxado. Não tenho de me preocupar com nada. Quais presentes, quais postais, quais esmolas, quais pobres. Que esperam pelo próximo Natal...Até lá não penso em nada a não ser...em mim.