Este Ano vamos deixar o Olivas em Paz...
Ando há alguns dias a matutar num assunto...
A Internet tem sido, nestes últimos anos, o veículo privilegiado para se fazerem apelos inúteis e inócuos à sociedade, quase numa tentativa algo idiota de, através de umas simples e idiotas mensagens, limparmos os problemas de consciência que temos por não fazer nada em prol da humanidade.
Assim, vemos e ajudamos a circular pelas nossas caixas de correio, mensagens que vão desde a condenação ao apedrejamento de uma mulher na Nigéria, à transmissão de fotos de crianças desaparecidas algures no Sudeste Asiático, já para não falar de testemunhos algo duvidosos de misteriosos gangues que roubam órgãos ou violam velhinhas. O problema é que a mulher em causa morreu apedrejada, a criança se encontrou a família foi porque esta a procurou (acho incrível que alguém imagine os Avós, Tios, Primos de alguém sentados no seu PC à espera de receber uma foto conhecida pela Internet) e a velhinha, se tiver a sorte de ser violada, só poderá dar graças a Deus por isto ter acontecido.
Achei que isso deveria mudar. Achei que a Internet poderia ser usada para algo que nos esteja mais próximo, para algo que nos toque diariamente, para algo com que todos convivamos. Decidi então fazer este apelo, sincero e honesto: este Ano vamos deixar o velho Olivas em Paz.
Pensei nisto em função do aniversário dessa criatura que alguns terão a felicidade de conhecer...
Agora porquê deixá-lo em Paz? Acho, sinceramente, que chegou a altura de dizer BASTA. Faço obviamente o mea culpa por tantas vezes ter-me juntado ao coro de protestos contra as suas atitudes, mas, como nunca é tarde para mudar, aqui estou eu para tentar dar o exemplo. Ninguém tem qualquer dúvida que o Ser em causa é diferente dos demais. Então porque havemos de o tratar da mesma forma que aos outros?
Porque é que Ele tem de ser obrigado a cumprir horários que todos sabem, Ele inclusive, que não irá cumprir? Porque é que Ele tem de ser coerente com os assuntos que Ele defende, se Ele é o primeiro a discutir consigo mesmo? Porque é que Ele tem de se comportar como o Pai que o gerou, criou e educou, mas nunca conseguiu incutir n’Ele os desafios que aquele propôs para si mesmo? Porque é que Ele, exagerado por natureza, tem de ser contido na sua forma de estar, vestir ou de agir? Porque é que Ele, que abraça a vida como se a quisesse sufocar de uma vez só, se tem de preocupar com a saúde, com a alimentação, com os fumos, etc? Porque é que Ele, que gostaria certamente de ter o Dom da ubiqüidade e atender a todos, tem de comparecer a encontros que, infelizmente e por fruto da ocasião, são suplantados por outros? Porque é que Ele tem de ser diariamente pressionado para fazer tudo aquilo que Ele não quer e até para fazer aquilo que Ele mesmo quer? Porque é que todo Mundo, sabendo que estamos diante de uma pessoa única e singular, quer que ele seja igual a todos os restantes?
Não sei se o fazemos por defesa, por receio de não sabermos lidar com alguém diferente, por querermos uniformizar o Mundo aos nossos olhos. Simplesmente percebi-me que incorremos todos num erro: não deveríamos tentar mudar algo ou alguém, simplesmente porque não o compreendemos.
É por isso chegada a altura de o Mundo que rodeia o Zé Olivas fazer uma verdadeira reflexão. Há quem não goste do Zé Olivas? A resposta é tão óbvia que me leva a uma singela conclusão. Todas as pessoas gostam d’Ele porque Ele é diferente. E, por essa mesma razão, deveríamos todos fazer um esforço no sentido contrário aquele ao qual estamos habituados e lutar para que Ele não mude e se mantenha igual àquilo que Ele hoje é. Mesmo que isso signifique que nem sempre o compreendamos.
Então, só nos resta um caminho sério e honesto: este Ano vamos deixar o Olivas em Paz...
