Saturday, January 08, 2005

O Espírito do Natal

Tudo era silêncio. Nada perturbava a Paz aparente em que eu me encontrava. Não digo que estava feliz, pois não acredito na felicidade, mas nada atrapalhava o meu descanso.

Subitamente, do nada, um som estridente trouxe-me de volta à realidade. Maldito despertador, pensei eu instintivamente. Só que hoje tenho de agradecer este despertar, por mais violento que tenha sido. Faltam apenas 10 dias para o Natal e eu ainda tenho tanto para fazer.

Levanto-me num ápice, tomo banho à pressa e, enquanto mastigo uma torrada refeita, revejo a lista da qual não me separarei até o dia 25 de Dezembro. Ora bem, faltam os presentes para o Tio Afonso, que eu já não vejo há mais de 10 meses – pensando bem acho que a última vez que eu o vi foi no último Natal - para os três filhos deste (que eu já não me lembro dos nomes), para os Tios Manuel, Ana, Rodrigo, Joaquim, Duarte, Catarina e outros que já não me lembro. Reparo agora que perdi a conta a todos os primos e amigos de família que estarão presentes no jantar de Natal. Talvez seja melhor comprar presentes em série para não falhar ninguém.

É verdade, não me posso esquecer de dar um presente à D. Odete que trabalha lá em casa, à senhora da Padaria, à Dra. Patrícia que nos trata sempre tão bem e, já agora, ao Sr. Luís do talho.

Lá no emprego temos o Jorge, o Hugo, o Eduardo, a Maria Antónia, a Lúcia, a Sónia, o Gilberto, o Ricardo, a Ana Helena e o Pedro (muito embora eu não vá muito com a cara dele ficaria mal não lhe dar um presente).

Ufa...Só de pensar em tantos presentes quase que fico tonto. Melhor faria eu se fosse como um amigo que me confidenciou um dia não dar presentes a ninguém, para ninguém levar a mal. Mas isso não seria bonito no Natal.

Para além disto tudo, tenho que dar uma esmola a uma instituição de caridade. O Ano passado dei um donativo à Sociedade Protectora dos Animais, este Ano acho que vou dar às crianças filhas de Pais com SIDA. Sei lá...as crianças não têm culpa dos Pais que têm e sempre lhes poderá compensar alguma coisa. Ou então dou às vítimas dos incêndios. Mas já não me lembro se os incêndios foram este ano ou no ano passado. Bom, não interessa. O importante é dar algo e ver se consigo alguma dedução para o IRS.

Se calhar deveria visitar alguns pobres. Mas acho que não tenho tempo para tudo. Quando acabar de comprar os presentes de Natal logo vejo.

Já me esquecia. Tenho de comprar e enviar postais de Natal. Acho que compro postais da UNICEF ou daqueles que são pintados por tipos com os pés que, coitados, até fazem uns desenhinhos bem engraçados...para quem não tem mãos. O melhor é comprar logo daqueles postais que trazem as mensagens de Boas Festas. É que tenho tantos para escrever que assim é só rubricar, pego na minha agenda que está no computador e imprimo etiquetas. Desta maneira não falho ninguém na minha lista. Provavelmente mandarei um postal para uma série de cretinos para os quais não tenho a mínima paciência. Mas também...é Natal e temos de ter um espírito diferente. Quando isto tudo acabar não tenho de ser Amigo deles. Basta-me dar-lhes os bons dias de uma forma cordial.

Tenho que ver na lista se me falta ainda alguma coisa. Não sei porquê sinto que algo está errado. Talvez a lista esteja incompleta. Será que esta é a primeira lista? É que eu tive de a refazer umas cinco vezes porque me lembrava sempre de mais alguém............................................................................
TRRRRRRIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

Que som estridente...Tenho de me lembrar de trocar de despertador pois este dá-me cabo dos nervos. Mas eu estava acordado. Ou não estava? Era tudo um sonho?

Acordo aos poucos e tomo contacto com a realidade. Afinal o Natal já passou. Hoje é dia 8 de Janeiro e tudo aquilo não passou de um sonho algo exótico. Graças a Deus...Sinto-me bastante mais relaxado. Não tenho de me preocupar com nada. Quais presentes, quais postais, quais esmolas, quais pobres. Que esperam pelo próximo Natal...Até lá não penso em nada a não ser...em mim.

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