Porque sim...Porque não...
Não serei eu nem primeiro nem o último a fazê-lo, mas há que louvar a língua portuguesa. Por ser rica, variada, descritiva. Existem inúmeros vocábulos para o mesmo objecto. Existem palavras diversas para a mesma função. Existem múltiplas formas de expressarmos os nossos sentimentos, de argumentarmos as nossas posições, de comunicarmos enfim...
É com tristeza que assisto, no entanto, à banalização da nossa língua. Não sei se influenciados pela nova linguagem, por vezes criptográfica, que se usa nas comunicações móveis e afins, vejo as pessoas à minha volta a utilizar vezes sem conta a justificação Porque Sim...Porque Não...
Certamente que os meus Amigos, porventura fartos destas minhas dissertações, perguntarão que diabo tenho eu a ver com a forma de falar dos outros ou porque raio perco tempo a abordar este assunto. A minha resposta é rápida, fácil e óbvia: porque sim...
Poderia perder muito tempo com largas explicações e lições de ética na escrita, mas desta vez não o farei. Porquê? Porque não...Que raio de pergunta... Haverá melhor forma de nos esquivarmos de opinar sobre qualquer assunto? Ou de nos eximirmos de revelar os nossos sentimentos?
Esta descoberta pode influenciar a vida de muitas pessoas. Ora vejamos...Imaginem o Presidente da República, ao ser questionado sobre as razões que o levaram a demitir o Governo, responder simplesmente: porque sim...sem dar azo a qualquer contra-resposta.
Mas não será somente na política que esta forma ganhará adeptos. Visualizem o patrão que despede o funcionário e simplesmente o justifica: porque sim...E quando o Juiz tiver de libertar um político obviamente culpado alegar que o fez: porque sim...E o cidadão que não paga impostos: porque não...
Muito embora me pareça esta uma forma prática e inócua de justificarmos tudo o que nos acontece, tudo o que fazemos, tudo o que sentimos, tudo o que pensamos, sinto alguma tristeza ao ver as pessoas optarem por uma explicação algo pobre. Não me levem a mal aqueles que o fazem, mas acho que tem um certo encanto ouvirmos as pessoas argumentar de forma expressiva as suas posições – aqueles que ainda as têm, o que já começa a ser raro. Também me parece mágico alguém que consegue expressar os seus sentimentos e não se escuda atrás de respostas que, ao mesmo tempo em que são inofensivas, são inócuas, não têm profundidade, não têm alcance, não fazem sentido. Até naquelas pessoas que vivem à procura de desculpas para atrasos ou para prevaricações tem mais graça uma invenção original do que um simples: porque sim ou porque não...
Resumindo e concluindo, cada um tem o direito de agir e falar como bem entenda, mas muito sinceramente acredito que a nossa língua é um dos nossos maiores valores e a forma de nos expressarmos reflecte um pouco aquilo que sentimos. E eu acho que todos os sentimentos que temos dentro de nós (ódios, amores, prazeres, sonhos, rancores, simpatias) merecem a melhor forma possível de ser libertados no Mundo. Porquê??? Ora...porque sim...

0 Comments:
Post a Comment
<< Home