Vida Parte II - O espírito positivo que às vezes não temos...
Hoje, apesar de ser Sábado, acordei cedo. O meu filho teve uma festa junina e eu tinha de estar presente. Depois passeei os meus cães à pressa e fui para a Praia onde, apesar de não ter comido quase nada, passei um bom bocado. Cheguei a casa e, porventura levado por algum instinto, fiz algo que infelizmente não tem sido meu hábito: procurei este Blogue. Se calhar tinha esperanças de encontrar algo novo. E encontrei...
Li com o maior prazer o texto de reflexão do meu grande Amigo e, apesar de concordar com ele em tanta coisa, hoje senti-me - sinto-me - na obrigação de contrariar, na obrigação de o confortar, na obrigação presunçosa de achar que o poderei ajudar a encontrar outro caminho. Por essa razão escrevi o texto introdutório da forma como fiz.
Poderia tê-lo feito da seguinte forma: “Hoje, apesar de ser um dos poucos dias em que posso acordar tarde, fui obrigado a levantar-me para aturar uma festa chatíssima e barulhenta. Sem comer ou descansar passei por casa para cumprir mais uma vez a tarefa árdua de levar a louca da minha cadela à Rua. Saí para a Praia e tive de aturar com uma série de indivíduos a vender tudo e mais alguma coisa e o Domingos a discutir sistematicamente com a Gabriela. Depois disto tudo cheguei a casa e li este Blogue. O texto que li deixou-me deprimido. O melhor caminho que terei será abraçar a morte...”
Obviamente que estou a exagerar, mas é importante que se perceba que em tudo podemos optar por uma visão negativa se quisermos. Mesmo nas coisas melhores que nos acontecem na vida podemos encontrar razões para as depreciarmos. Tudo depende da forma como encaramos o Mundo, a vida e até a Morte.
Quando alguém que nos é próximo morre, é freqüente maldizermos o cruel destino que nos separou dessa pessoa. Penso mesmo que será algo muito raro que alguém consiga bendizer a alegria que teve por conhecer essa pessoa, preferindo ficar de rastos porque ela parte. De uma forma algo egoísta preferiríamos ser nós a partir e deixar os outros a sofrer. De uma maneira algo irracional rejeitamos o sofrimento, esquecendo que este é parte integral de tudo quanto amamos. Quem nunca ouviu palavras de rejeição ao Amor por alguém que sofreu um desgosto amoroso?
Enfim, não quero entrar em testamentos. Principalmente porque ainda terei de ter trabalho a fazer um churrasco. Queria apenas deixar umas mensagens ao meu Amigo Alberto Mates e a todos quantos as queiram ler e meditar sobre elas. Se calhar passamos a vida a correr atrás de cenouras de que não precisamos e, fruto dessa sangria, passamos ao lado de tantas outras que, por si só, nos fariam felizes.
Também acredito que se tivéssemos tudo aquilo que gostaríamos a nada daríamos valor. E eu sei do que falo. Sei bem o quanto valorizo as conversas que tenho com os meus amigos, as visitas que estes me fazem e as coisas que estes escrevem e que me dão o prazer de ler. É a menos frequência com que estas coisas ocorrem que lhes atribui maior valor. Poderia lamentar-me de estar longe de todos. Prefiro saborear todos os pequenos momentos que ainda temos juntos através destas múltiplas formas de comunicação.
Tudo é relativo...Contudo acredito, com uma fé cada vez maior, que temos de aproveitar tudo o que a vida nos oferece. E, por muito que algo nos pareça penoso, doloroso, castigo, haverá sempre uma contrapartida. Como dizia o meu amigo Lou Reed “There’s a bit of Magic in everyhting and then some loss to even things out”.
Dedico este texto ao meu amigo Alberto Mates porque gosto muito dele e já ha muito tempo que não o presenteio com nada.

4 Comments:
Estou totalmente de acordo com o que li, quero apenas dizer que por vezes a vida está infeliz e é difícil ver as coisas pelo lado positivo.
Nesse contexto há dois pontos que acho importante referir: a ajuda dos amigos e família para que as coisas melhorem, e a força interior para mudar algo quando as coisas não estão bem. Como disse António Variações e muito bem: muda de vida se não te sentes satisfeito. muda de vida estás sempre a tempo de mudar. Por incrível que pareça vou tentar levar esta ideia como guia ao longo da minha vida de modo a que quando chegar ao fim não sinta que o temp+o que vivi foi mal vivido.
Já fiz um comentário a um dos textos aqui publicados, um texto que realmente me encheu o coração, um texto sobre a amizade mas o qual sei, porque o ouvi, que não foi bem aceite... fiquei triste porque foi escrito de coração.
Bom mas sobre este texto queria escrever apenas isto,sim há alturas em que penso se é vida aquilo que vivo só que, logo a seguir, uma voz me diz, sim é vida aquilo que vivemos, sim as cenouras existem mas elas existem como, quando e conforme nós queremos e vivemos essa dita vida. Não vale a pena continuarmos a chorar sobre o que deveria ser ou como poderia ser, mas sim lutarmos pelo o que queremos que seja. Mesmo que a vida nos imponha muros quase que impossiveis de ultrapassar, “mesmo que, como dizia alguém conhecido, “matem todas as flores, jamais matarão a primavera”!! Todos nós passamos por momentos dificeis, momentos em que a dor trespassa a carne e deixa cicatrizes que condicionam os nossos comportamentos, mas não são esses momentos que nos fazem crescer, mudar, olhar para o mundo de outra maneira? Não são esses momentos que nos fazem desmanchar esses muros outrora dificeis de ultrapassar? Não são esses momentos de dor, alegria, amor, amizade que nos fazem dar valor ao que tanto queremos?
Tal como o nosso amigo Zé Carioca disse, “Tudo depende da forma como encaramos o Mundo, a vida e até a Morte.”.
A uma coisa sei que dou muito valor,a vocês.
Nós
Zé... o professor escreve melhor que tu. Das duas uma: ou sobes o nível ou cortas-lhe o acesso.
Vou jantar e ver ver a Guerra dos Mundos que já se faz tarde.
mas qual professor (horse Angels) ou Pulido Valente????
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