Wednesday, July 20, 2005


O Grupo do Porro revelado...ou não...

Saturday, July 02, 2005

Vida Parte II - O espírito positivo que às vezes não temos...

Hoje, apesar de ser Sábado, acordei cedo. O meu filho teve uma festa junina e eu tinha de estar presente. Depois passeei os meus cães à pressa e fui para a Praia onde, apesar de não ter comido quase nada, passei um bom bocado. Cheguei a casa e, porventura levado por algum instinto, fiz algo que infelizmente não tem sido meu hábito: procurei este Blogue. Se calhar tinha esperanças de encontrar algo novo. E encontrei...

Li com o maior prazer o texto de reflexão do meu grande Amigo e, apesar de concordar com ele em tanta coisa, hoje senti-me - sinto-me - na obrigação de contrariar, na obrigação de o confortar, na obrigação presunçosa de achar que o poderei ajudar a encontrar outro caminho. Por essa razão escrevi o texto introdutório da forma como fiz.

Poderia tê-lo feito da seguinte forma: “Hoje, apesar de ser um dos poucos dias em que posso acordar tarde, fui obrigado a levantar-me para aturar uma festa chatíssima e barulhenta. Sem comer ou descansar passei por casa para cumprir mais uma vez a tarefa árdua de levar a louca da minha cadela à Rua. Saí para a Praia e tive de aturar com uma série de indivíduos a vender tudo e mais alguma coisa e o Domingos a discutir sistematicamente com a Gabriela. Depois disto tudo cheguei a casa e li este Blogue. O texto que li deixou-me deprimido. O melhor caminho que terei será abraçar a morte...”

Obviamente que estou a exagerar, mas é importante que se perceba que em tudo podemos optar por uma visão negativa se quisermos. Mesmo nas coisas melhores que nos acontecem na vida podemos encontrar razões para as depreciarmos. Tudo depende da forma como encaramos o Mundo, a vida e até a Morte.

Quando alguém que nos é próximo morre, é freqüente maldizermos o cruel destino que nos separou dessa pessoa. Penso mesmo que será algo muito raro que alguém consiga bendizer a alegria que teve por conhecer essa pessoa, preferindo ficar de rastos porque ela parte. De uma forma algo egoísta preferiríamos ser nós a partir e deixar os outros a sofrer. De uma maneira algo irracional rejeitamos o sofrimento, esquecendo que este é parte integral de tudo quanto amamos. Quem nunca ouviu palavras de rejeição ao Amor por alguém que sofreu um desgosto amoroso?

Enfim, não quero entrar em testamentos. Principalmente porque ainda terei de ter trabalho a fazer um churrasco. Queria apenas deixar umas mensagens ao meu Amigo Alberto Mates e a todos quantos as queiram ler e meditar sobre elas. Se calhar passamos a vida a correr atrás de cenouras de que não precisamos e, fruto dessa sangria, passamos ao lado de tantas outras que, por si só, nos fariam felizes.

Também acredito que se tivéssemos tudo aquilo que gostaríamos a nada daríamos valor. E eu sei do que falo. Sei bem o quanto valorizo as conversas que tenho com os meus amigos, as visitas que estes me fazem e as coisas que estes escrevem e que me dão o prazer de ler. É a menos frequência com que estas coisas ocorrem que lhes atribui maior valor. Poderia lamentar-me de estar longe de todos. Prefiro saborear todos os pequenos momentos que ainda temos juntos através destas múltiplas formas de comunicação.

Tudo é relativo...Contudo acredito, com uma fé cada vez maior, que temos de aproveitar tudo o que a vida nos oferece. E, por muito que algo nos pareça penoso, doloroso, castigo, haverá sempre uma contrapartida. Como dizia o meu amigo Lou Reed “There’s a bit of Magic in everyhting and then some loss to even things out”.

Dedico este texto ao meu amigo Alberto Mates porque gosto muito dele e já ha muito tempo que não o presenteio com nada.