Assim não, Zé...
Camarada José Olivas,
Num momento de aborrecimento cibernético decidi passear por entre os favoritos que tenho coleccionado ao longo do tempo. Não me refiro aos Amigos, esses não se recordam em momentos de tédio mas sim em todos os momentos, especialmente quando algo do momento actual te traz à memória vivências em conjunto. Ainda esta manhã vi um documentário sobre o Rio de Janeiro (nem que fosse porque a minha mais que querida progenitora me arrancou da cama num acesso de loucura zappinguista) e, claro, rapidamente me teletransportei para sítios e lugares visitados com muitos daqueles a que te referes no texto que escreveste há um mês, e que foi o motivo da minha surpresa: várias vezes passo por aqui, mas nunca dei o primeiro passo.
Fiquei muito feliz por ver que o fizeste. Para mais, com aquele sentimentalismo non sense que faz lembrar o Cântico Negro, de José Régio, “não sei por onde vou,/não sei para onde vou,/sei que não vou por aí” que sempre te caracterizou e que, espero, jamais se te descaracterize… Muito feliz porque deste o primeiro passo que a vertigem dos dias, ou a preguiça das noites, muitas vezes faz com que o adiemos ad eternum.
Sin embargo, sinto-me na necessidade de reclamar que, ao enumerares tantos e tão respeitáveis membros do grupo, simples contribuintes ou amenos leitores, te tenhas esquecido de mim… Serei vítima do que o Alberto João chama (e reclama) insularidade. Sofrê-la-ei, eu, que vivo numa Península, curiosamente a mesma que tu habitas (e não, não me refiro à de Setúbal…). Afinal, ser tão abrangente como dizer “o zé ou o outro zé” é reduzir ao mínimo denominador comum uma experiência que tu prórpio viveste, em que descobrimos que cada Zé era reconhecido pelos demais, tanto pelo fonetismo usado no vocativo, como pela sua identidade.
Referires-te, de modo tão genérico ou descuidado a qualquer dos outros Zés (nota a diferença de trato entre as maiúsculas e as minúsculas) é pior do que agitar o machado de guerra… Queres tu juntar as pessoas ao teu redor, e não lhes dás um trato personalizado??? Com a identidade que cada um construiu, e que preserva, esquecê-lo pode ser perigoso. Repara:
Um dos Zés passou de ser o Zé Artista para ser o “Pai, Zé, não podes ser Pai”… O Zé Bruce passou a ser o “Zé Import-Export” que não importa (de importação) nem exporta. Tu próprio assinaste como Zé Olivas e não como Zé. É essa expressão da identidade que devemos estimular, antes de puxarmos temas de discussão zoológica, zoologia essa que actualmente apenas discutimos e não imitamos, talvez já devido à idade. Senão, atenta no exemplo do jantar no “arranja-me aí”, no passado dia 4 de Maio (sim, lembro-me da data, e tu deves saber o motivo), em que comentámos o comportamento da mesa do lado de modo negativo, esquecendo-nos nós que já fomos assim (e tivemos aquela idade, ainda que eu esteja perto…).
A luta, Zé, a luta e o desafio, será não só encontrar esses velhos Amigos como voltar a juntá-los como um só, em momentos de partilha e confraternização que são cada vez mais escassos e menos ricos (a meu ver) e ainda não sei porquê. A pergunta “onde estão os meus velhos amigos” deveria ser “onde estamos, meus velhos amigos”, não achas?
Deixo o tema para discussão. Um abraço a todos, inclusive ao Anónimo, ao Fascista e à Gaja, que não foram mencionados, embora não por lapso ou omissão, mas cuja presença em meu pensamento me acompanhou ao longo destas linhas.
Como diria o velho Gonçalves, “Amigos, um abraço a todos”.
Zé Emigra
Num momento de aborrecimento cibernético decidi passear por entre os favoritos que tenho coleccionado ao longo do tempo. Não me refiro aos Amigos, esses não se recordam em momentos de tédio mas sim em todos os momentos, especialmente quando algo do momento actual te traz à memória vivências em conjunto. Ainda esta manhã vi um documentário sobre o Rio de Janeiro (nem que fosse porque a minha mais que querida progenitora me arrancou da cama num acesso de loucura zappinguista) e, claro, rapidamente me teletransportei para sítios e lugares visitados com muitos daqueles a que te referes no texto que escreveste há um mês, e que foi o motivo da minha surpresa: várias vezes passo por aqui, mas nunca dei o primeiro passo.
Fiquei muito feliz por ver que o fizeste. Para mais, com aquele sentimentalismo non sense que faz lembrar o Cântico Negro, de José Régio, “não sei por onde vou,/não sei para onde vou,/sei que não vou por aí” que sempre te caracterizou e que, espero, jamais se te descaracterize… Muito feliz porque deste o primeiro passo que a vertigem dos dias, ou a preguiça das noites, muitas vezes faz com que o adiemos ad eternum.
Sin embargo, sinto-me na necessidade de reclamar que, ao enumerares tantos e tão respeitáveis membros do grupo, simples contribuintes ou amenos leitores, te tenhas esquecido de mim… Serei vítima do que o Alberto João chama (e reclama) insularidade. Sofrê-la-ei, eu, que vivo numa Península, curiosamente a mesma que tu habitas (e não, não me refiro à de Setúbal…). Afinal, ser tão abrangente como dizer “o zé ou o outro zé” é reduzir ao mínimo denominador comum uma experiência que tu prórpio viveste, em que descobrimos que cada Zé era reconhecido pelos demais, tanto pelo fonetismo usado no vocativo, como pela sua identidade.
Referires-te, de modo tão genérico ou descuidado a qualquer dos outros Zés (nota a diferença de trato entre as maiúsculas e as minúsculas) é pior do que agitar o machado de guerra… Queres tu juntar as pessoas ao teu redor, e não lhes dás um trato personalizado??? Com a identidade que cada um construiu, e que preserva, esquecê-lo pode ser perigoso. Repara:
Um dos Zés passou de ser o Zé Artista para ser o “Pai, Zé, não podes ser Pai”… O Zé Bruce passou a ser o “Zé Import-Export” que não importa (de importação) nem exporta. Tu próprio assinaste como Zé Olivas e não como Zé. É essa expressão da identidade que devemos estimular, antes de puxarmos temas de discussão zoológica, zoologia essa que actualmente apenas discutimos e não imitamos, talvez já devido à idade. Senão, atenta no exemplo do jantar no “arranja-me aí”, no passado dia 4 de Maio (sim, lembro-me da data, e tu deves saber o motivo), em que comentámos o comportamento da mesa do lado de modo negativo, esquecendo-nos nós que já fomos assim (e tivemos aquela idade, ainda que eu esteja perto…).
A luta, Zé, a luta e o desafio, será não só encontrar esses velhos Amigos como voltar a juntá-los como um só, em momentos de partilha e confraternização que são cada vez mais escassos e menos ricos (a meu ver) e ainda não sei porquê. A pergunta “onde estão os meus velhos amigos” deveria ser “onde estamos, meus velhos amigos”, não achas?
Deixo o tema para discussão. Um abraço a todos, inclusive ao Anónimo, ao Fascista e à Gaja, que não foram mencionados, embora não por lapso ou omissão, mas cuja presença em meu pensamento me acompanhou ao longo destas linhas.
Como diria o velho Gonçalves, “Amigos, um abraço a todos”.
Zé Emigra
