Friday, September 30, 2005

É triste mas é verdade...

Escrevo estas linhas porque me sinto frustrado, deprimido e, posso até dizê-lo, angustiado. É assim um desabafo que faço comigo mesmo mas que, ao escrevê-lo, tento que funcione como se conversasse com alguém que me entenda.

Porventura as pessoas que leiam estas linhas e que me conheçam pensarão que se trata de mais um chilique (é chilique ou xilique??) da minha parte como conseqüência de aqui ter ficado só, depois da partida para Portugal da minha mulher e do meu filho. Poderia até ser...não é o caso...

Poderiam ser também as frustrações acumuladas do trabalho que me (nos) vão enchendo até não agüentarmos mais. Poderia ser hoje o dia em que tinha atingido o meu limite. Infelizmente não se trata disso.

Haveria ainda a hipótese, entre tantas outras que poderíamos aventar, de se tratar de um vazio de sentimentos que surge dos sonhos não realizados e, portanto, reprimidos. Seria uma hipótese coerente...

Contudo, o que me deixa neste estado, por mais estúpido que isso pareça – e parece...até para mim mesmo – é a derrota do Sporting frente a uma equipa nórdica de duvidosa reputação (mesmo que já tenha eliminado o Benfica), a sua eliminação de uma Taça na qual prometíamos um pouco mais, mais um desaire num ano de festa do MEU clube, a falta de vontade e empenho dos jogadores, o assobio dos adeptos, as falhas sucessivas, a falta de inteligência (se calhar minha...) nalguns momentos, etc, etc, etc.

Ao acabar o referido jogo, dei por mim desconsolado, abatido, desmotivado. Como se eu tivesse tomado parte naquela partida de futebol, naquele jogo – aquilo é um jogo, não é? Como se eu fosse também responsável por aquela derrota. Eu, que assisti impotentemente ao descalabro, senti-me envergonhado por tudo aquilo que fizemos e pelo que deixámos de fazer. Mas porquê??? Porque diabo eu e milhares de adeptos pelo Mundo fora teremos de nos sentir assim por causa de um mero jogo???

À medida que os minutos íam passando e a dor aguda dava lugar a um mal estar mais pesaroso (passava da enxaqueca à depressão), tentei raciocinar. Tentei ser lógico. Eu não sou responsável por aquela derrota. A minha vida não mudará pelo facto de o Sporting ganhar ou perder. Não perdi qualquer prémio de jogo.

Daí passei para a segunda fase do pretenso racionalismo. Olhar para o Mundo à minha volta e para as verdadeiras desgraças. Grave foi o furacão Katrina. Doloroso foi o Tsunami. Tristeza de verdade é que se vê nos olhos de uma criança com fome. Angústia é a morte de uma pessoa que nos é querida...

Lá pensar nisso, juro que pensei...Mas, feliz ou infelizmente, para o bem e para o mal, os nossos pensamentos não mandam na nossa Alma. Por isso, que me desculpem aqueles que passam fome, aqueles que perderam os familiares em desastres naturais, aqueles que, por esta ou por aquela razão têm uma verdadeira razão para estar tristes, mas hoje, quando me deitar, não será neles que eu vou pensar ao fechar os olhos. Quando os fechar, antes de começar a sonhar, sei que verei a saída em falso do Nélson, a bola na trave do Pinilla, a falha do Polga. E, se tiver sorte, conseguirei não chorar...

Não é bonito sentir assim. Hoje posso afirmá-lo que acho tudo isto ridículo. O jogo em si não tem a mínima importância. Mas sinto-o. E não serei apenas eu. Milhares de pessoas ainda estão em estado de desespero. Outros milhares estarão em igual situação pela derrota de outros clubes. Por razões óbvias hoje estarei solidário com eles. No meio destes “pensamentos” vi-me obrigado a pensar que, nas próximas vezes que o clube de amigos meus passe por situações idênticas, por mais que isso me possa fazer sorrir, terei de me solidarizar com eles, pois será a vez deles de se sentir assim...É um mundo de loucos...

É triste...mas é verdade...

Thursday, September 22, 2005

Finalmente, cá vai disto!...

Sendo o Grupo do Porro uma Instituição de Utilidade Pública, venho por este meio recorrer a essa dita utilidade para extravasar um pouco daquilo que vai cá dentro… Espero não ser levado a mal… E se for, paciência, a Amizade verdadeira tudo perdoa.

AS PALAVRAS QUE NUNCA TE DIREI

Numa fria noite de sábado, do outro lado da linha, lá estavas tu. Era a tua 7ª tentativa de contacto, depois de 6 chamadas não atendidas. Estremunhado, atendi, desperto de uma daquelas sonecas no sofá com a lareira a crepitar como som de fundo, pois a TV há muito que se tinha cansado de falar sozinha…
O teu pedido era claro como água: “só a ti te posso pedir isto, posso contar contigo?”. Naturalmente, acedi. Longe estava eu de saber que esse momento iria mudar, e de que maneira!, o curso da minha vida…
Foi a porta para um Mundo novo, cheio de coisas que eu sabia existir, mas que não conhecia. Contigo conheci muito do meu novo mundo, cresci, aprendi, sofri, chorei, sorri. Durante todo o tempo que nos mantivemos juntos, as 6as feiras tornaram-se um dia especial, aquelas horas intermináveis de conversa à beira-rio ou à porta de casa às tantas. Melhor que as 6as, apenas as transposições para mais dias da semana, que fomos posteriormente incluindo no programa das festas.
Olhares cúmplices trocados intermináveis vezes quando jantávamos com amigos, aquela mítica frase “tu percebeste” que repetíamos vezes sem fim, as largas dezenas (não terão sido mesmo centenas) de Bombays tónicos, as empadas de perdiz, o aprender a gostar de vinho…
Mas não foram só os momentos desta partilha… quantas vezes, fulos do emprego, crescemos ao ver pelos olhos (e boca) do outro que a neura que trazíamos agarrada, impregnada mesmo, tinha uma origem bastante razoável, ainda que não gostássemos? Quantas vezes isso não nos enriqueceu, mostrando que o Mundo é muito maior do que parece? E assim crescemos, desenhando projectos e a vendo-os acontecer. De tal modo, que hoje estou num deles, e ainda bem…
O problema, o problema é que tu há muito saíste… e eu não sei bem quando nem, muito pior, porquê… De um momento para o outro, deixámos de falar, de saber um do outro, de sorrir, de partilhar. Eu deixei…
E passei a trazer comigo apenas uma dor que apenas comigo fala, sem saber de ti, sem nada. Ao longo do tempo, a frustração foi crescendo, apenas reduzida uma vez há uns meses, quando pela primeira vez fui a Lisboa. Nessa altura, as migalhas que me serviste consolaram-me, talvez por não saber que o eram. Hoje…
Hoje, passados uns meses e algumas datas como o aniversário daquele dia de Abril no qual, um ano antes, e por minha causa, te vi verter uma lágrima, a inquietude deu lugar à frustração, esta à tristeza e, por fim, à decepção.
Foi bom, mas foi um engano. Ficou a lição. Felizmente esvai-se o vazio. Nada mais me sai. Na verdade, pouco mais há a dizer. Adeus.